|
|
|
|
|
|
|
|
|
   
 
 
:. Artigos .:
 

Biotecnlogia
Engenharia Clínica
Eles nâo são médicos mas salvam vidas


Engana-se quem pensa que um bom hospital requer simplesmente uma equipe médica eficiente. Pelo contrário, a excelência de uma instituição se consegue com o esforço conjunto de uma gama de profissionais que atuam em áreas bem diferentes, porém complementares à medicina. Entre eles, o engenheiro clínico. Uma aquisição ainda recente no universo hospitalar nacional, mas que vem se impondo e mostrando a importância do seu trabalho.
O Diretor Técnico-Administrativo do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Paulo S.
Palombo Camargo, e a engenheira clínica Nádia Pagnocca Buono do Hospital do Câncer - ambos de São Paulo - são apenas dois exemplos. É deles a responsabilidade de garantir que tudo flua bem, da adequação do espaço físico às necessidades e manutenção dos equipamentos; das prioridades clínicas às institucionais, e as estruturais.
Palombo, inclusive, é um raro exemplo da abrangência do perfil desse "novo" profissional. Formado em engenharia biomédica, especializou-se em engenharia clínica e tornou-se um dos executivos do hospital.
- Alguns de nós ganhamos o apelido de CTO pelos nossos antigos professores, que hoje atuam no Exterior. A sigla poderia ser traduzida como gerente de tecnologia da casa e resume um pouco do que faz o engenheiro clínico: divulga técnicas de controle, avaliação, metodologia, ajudando a otimizar os investimentos financeiros.
Também responsável pela equipe de engenharia clínica do hospital, ele é um dos nove engenheiros clínicos brasileiros credenciados pelo Comitê Internacional de Certificação, além de um dos fundadores do Comitê Brasileiro de Certificação em Engenharia Clínica.
Ele conta que, na verdade, a especialização é a conseqüência das necessidades práticas exigidas pelo mercado, quando os engenheiros biomédicos passaram a atuar nas clínicas e hospitais, encarregados da manutenção dos equipamentos e, aos poucos, foram sendo solicitados como consultores.
- O Brasil dispõe, atualmente, de 400 engenheiros biomédicos, que têm uma
formação mais acadêmica, voltada para a pesquisa e o desenvolvimento de novas tecnologias. Muitos desses profissionais, assim como eu, tiveram de adaptar-se às necessidades da prática diária nos serviços de saúde.
Formada em engenharia eletrônica e elétrica, com especialização em eletrotécnica, Nádia tornou-se engenheira clínica pela primeira turma formada numa parceria entre o Instituto de Física e a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (Incor e Hospital Universitário). Resumindo, ela observa que o engenheiro clínico faz a ponte entre os médicos, as máquinas e os fornecedores.
- Entre tantas tarefas, o engenheiro clínico é o profissional capaz de traduzir a linguagem médica à técnica e vice - versa - conta Nádia, relatando que a função requer "jogo de cintura", subsídios técnicos e conhecimentos médicos, o suficiente para conseguir definir a maior entre tantas prioridades.
Responsáveis pelas ferramentas do hospital, os engenheiros clínicos tiveram que estudar uma área tão distinta da sua formação de origem para poder aplicar os conhecimentos da engenharia para as ciências médicas e a medicina, garantindo a manutenção do parque instalado, levantando as necessidades, formulando editais de compras, recebimento e manutenção de equipamentos, treinando e estimulando
a reciclagem profissional, e sobretudo, organizando a retaguarda que vai respaldar o bom desempenho da equipe médica, levando sempre em conta o custo-benefício, mas sem nunca esquecer o alvo principal: o paciente. Sem exageros, o engenheiro
clínico é aquele profissional que tem de pôr o dedo em praticamente tudo o que diz respeito à "saúde" do hospital.
- Sem querer interferir na área dos demais colegas, podemos afirmar que o engenheiro clínico opina em praticamente todas as tomadas de decisões. Desde a escolha do piso do centro cirúrgico, aos equipamentos médicos - observa.
Nádia destaca que o engenheiro clínico atua em conjunto com as diferentes esferas do hospital. Com seu conhecimento técnico, intercede junto à diretoria clínica a negociar com os fornecedores para aquisição de novas máquinas; analisa junto com a diretoria executiva as questões jurídicas dos contratos e visa sempre ao custo-benefício de cada investimento, ao lado da diretoria financeira.
Interagindo, ao mesmo tempo, com médicos e técnicos (incluindo engenheiros civis, mecânicos etc) das diferentes áreas.
Ela confessa, no entanto, que nem sempre a tarefa mais difícil é o gerenciamento dos complexos equipamentos médico-hospitalares, mas sim definir as prioridades. "Todo médico pensa no próprio paciente como o único, enquanto o engenheiro clínico tem de pensar no hospital como um todo."
Tudo isso é endossado pelo chefe de Engenharia de Manutenção do Hospital do Câncer (superior à engenharia clínica na institutição) Ademilson C. Andrade:
- Só o engenheiro clínico é capaz de fazer a interface entre os diferentes interesses e os profissionais envolvidos na complexidade de uma instituição de saúde.
Richard Rowlands, da equipe de engenheiros clínicos do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, destaca, por sua vez, que o engenheiro clínico traz as soluções que acabam integrando a engenharia, a enfermagem, os médicos e indiretamente os pacientes. "Nós conseguimos expor para todos, com exatidão, realmente os porquês."
- O engenheiro clínico consegue casar os interesses individuais, dos médicos das diferentes especialidades, com os interesses institucionais (a disponibilidade de recursos físicos, orçamentários, humanos), epidemiológicos e de vocação - complementa Palombo.

ESPECIALIZAÇÃO Campo de trabalho em expansão

Apesar de não ser o ideal, nem o que acontece no Exterior, Palombo defende a tese de que a engenharia clínica, no Brasil, deve estar desvinculada da engenharia predial - ou engenharia hospitalar. Ele justifica que a especialidade ainda está se firmando e que os interesses das duas áreas são muito diversos, além dos custos dos profissionais não serem os mesmos.
- A engenharia clínica está voltada tanto para os aspectos biomédicos, como institucionais, garantindo segurança, eficácia e economia, agregando as necessidades das diversas áreas envolvidas. Além disso, são duas forças, distintas, que se somam para buscar e encontrar soluções.
Por outro lado, ele enfatiza que apenas o engenheiro clínico pode ser responsabilizado legalmente por eventuais falhas de estrutura ou equipamentos que coloquem em risco a vida do paciente. "Nos Estados Unidos, cerca de 1.500 pacientes por ano são vítimas de acidentes elétricos, alguns deles fatais."
- A palavra emergência é proibida na engenharia clínica. Emergência só pode existir no jargão do médico. O engenheiro clínico tem de prever, predizer, antecipar e agir antes que um eventual problema aconteça, resolvendo instantaneamente as eventualidades, para preservar a segurança do paciente.
Nádia, por outro lado, observa que o CREA (Conselho Regional de Engenharia
e Arquitetura) ainda não reconhece a engenharia clínica como uma especialidade, e tudo indica que essa será mais uma conquista que a categoria deverá buscar. Apesar disso, todos reconhecem que o campo de trabalho na engenharia clínica é crescente e diversificado, conseqüência da sofisticação da medicina e da segmentação dos interesses.
A tendência, no futuro, é que a área de atuação do engenheiro clínico seja segmentada, cada profissional escolhendo com exatidão qual o seu foco de interesse, suas aptidões ou aversões. De uma forma ou de outra, todos os hospitais, clínicas, indústrias e até mesmo laboratórios precisam do profissional em engenharia clínica, seja na forma de consultoria, suporte técnico, vendas etc; o que sugere um
futuro promissor para os que estão pensando em atuar na área.

Fonte: (www.alertamedico.com.br / www.dialogomedico.com.br)


 

Engenharia Clínica Ltda - São Paulo - Fone: 11 3277-1370 / Celular: 11 8335-1437- lb@engenhariaclinica.com